terça-feira, 23 de julho de 2013

Maxi



Artigo de Pedro Miguel Neves, ionline

El Mono é, ano após ano, o jogador do Benfica com menos dias de férias. Em 2011 jogou a final da Copa América e viajou de propósito no dia seguinte para ajudar a equipa na pré-eliminatória da Champions
"Gonna live while I'm alive, I'll sleep when I'm dead" devia ser a música que Maxi escutava no avião que o trouxe de volta a Lisboa depois de vencer a Copa América. Descansar para quê? O Uruguai joga a final a 24 de Junho, voa para Montevideu onde festeja nessa mesma noite o título de campeão sul-americano; Maxi passa o dia 25 na capital do seu país e 24 horas depois está a arrancar para Lisboa. Chega a Portugal - após uma viagem de 12 horas - na manhã de 27, o Benfica joga à noite na Luz contra o Trabzonspor (pré-eliminatória da Liga dos Campeões). Se fosse qualquer outro, não estaria convocado. Mas "El Mono" está. Começa no banco e o 0-0 persiste. JJ fá-lo saltar para o campo aos 64 minutos, o Benfica marca aos 70 e 89 (Nolito e Gaitán) e vence 2-0. Como é que era aquele anúncio das pilhas? "E dura... dura...". Mas Maxi nem precisa de pilhas, está sempre ligado à corrente. "Estou sempre às ordens para o que precisem. Depois, logo pensarei nas férias, mas agora tinha de ajudar o Benfica", disse após o jogo. Com este exemplo, os treinadores passaram a ter uma estória para contar àqueles birrinhas que se queixam constantemente de jogar ao domingo e a meio da semana.

Se houvesse um prémio de funcionário do ano, Maxi goleava os colegas. Hoje apresenta-se aos treinos da equipa, que começou a trabalhar a 1 de Julho, um dia depois do último encontro que Maxi realizou na época passada. Enquanto a maioria dos companheiros terminou a temporada a 26 de Maio após a final da Taça de Portugal e gozou mais de um mês de férias, o lateral rumou à América do Sul. Praia, churrasco, descanso? Nada disso. A Taça das Confederações, no Brasil, que terminou para Maxi com o Uruguai-Itália. Vinte dias depois e o camisola 14 está de volta. Provavelmente farto de tantos dias de férias.

O HÁBITO FAZ O MONO 
Desde que chegou a Portugal, ainda rotulado de extremo, que o uruguaio se habituou a curtos períodos de descanso. Em 2007 jogou a 21 de Agosto na Taça Sul-Americana pelo Defensor Sporting, cinco dias depois estava em Lisboa para assinar pelo Benfica. Depois foi aproveitar o Verão... não, brincadeira, claro. A 2 de Setembro "El Mono" já joga os 90 minutos na 3ª jornada da Liga, na Madeira, contra o Nacional. Recorde-se que Maxi chegou à Luz ao mesmo tempo que o compatriota Cristian Rodríguez, na era Camacho. O extremo uruguaio, que depois acabou por conseguir o estatuto de indiscutível como lateral, custou às águias três milhões de euros (70% do passe).

INQUEBRÁVEL 
La Celeste é a grande culpada do enorme desgaste a que Maxi tem sido sujeito nos últimos anos. Enquanto o Benfica termina a temporada normalmente a meio de Maio, o internacional uruguaio raramente consegue partir para férias antes da segunda quinzena de Junho. Em 2008 o campeonato português acaba a 11 de Maio, Maxi estende o período de actividade até 14 de Junho devido à selecção. No ano seguinte os encarnados descansam a partir de 23 de Maio, Maxi ainda joga a 6 do mês seguinte. O Verão seguinte é de Mundial na África do Sul, as águias param a 23 de Maio após dois particulares, "El Mono" continua em alta rotação e faz o último jogo apenas a 10 de Julho, quando o Benfica já estava na pré-época. Enquanto a maioria dos seus companheiros teve 34 dias de férias, o número 14 já estava a trabalhar às ordens de JJ no dia 2 de Agosto.

PREMONIÇÃO 
Praticamente ninguém se deve recordar das primeiras palavras de Maxi à chegada a Lisboa. As declarações de reforços de Verão devem ser das coisas mais desinteressantes no futebol. Mas atenção que Maxi parece ser premonitório de toda a sua carreira na Luz: "Sou um jogador que corro atrás da bola, não dou nenhuma por perdida, não desisto e dou tudo pela equipa". Dito e feito, o uruguaio não estava mesmo a brincar.

A título de curiosidade, falta só a matemática. Desde que chegou ao clube encarnado, Maxi gozou 137 dias de férias em sete Verões, uma média de 19,5 dias por ano. Mesmo descontando 2007, quando o uruguaio chegou à Luz, nos últimos seis anos o plantel do Benfica teve 251 dias de férias, quase o dobro.

Lembra-se da história que contámos no início? Maxi voou para jogar contra o Trabzonspor e o Benfica deu-lhe como prémio uma semana de férias. Agora vamos entrar novamente em ano de Mundial. Mas Maxi diz sempre presente. O uruguaio é mais fiável que um bólide vencedor das 24 Horas de Le Mans.


O Maxi tem tudo para fazer uma grande época. Não vai querer encostar e vai ser exemplo para os novos.

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